quarta-feira, 7 de agosto de 2013




FEMISMO E A MANIPULAÇÃO PARA A FORMAÇÃO DE UMA NOVA SOCIEDADE

A nova conjuntura no ocidente aponta para o FEMISMO. O femismo é a doutrina que defende a supremacia do sexo feminino, que considera o sexo masculino inferior. Para o femismo, a libertação da mulher só virá quando a mulher inverter a lógica do patriarcado, construindo uma espécie de sociedade matriarcal, aonde as mulheres detenham o poder. Esse pensamento começou a tomar forma, após a queda do regime comunista no mundo. Tendo o capitalismo se tornado hegemônico, sem nenhum sistema para contrapô-lo, só restava então ao mesmo dominar o mundo. Porém, um entrave surgiu no horizonte: as sociedades tradicionais, com seus valores firmados no bem estar do grupo e num modelo conservador de sociedade. O que caracteriza as sociedades tradicionais é, além dos costumes e valores, o seu sistema patriarcal, ou seja, baseado na figura masculina. Característica essa das sociedades indianas, africanas e muçulmanas. Sociedades tradicionais atrapalham a proliferação do capitalismo, dificultam a criação das propriedades privadas; os produtos consumidos são somente para a subsistência; tem uma relação mais íntima e respeitosa com a terra que atrapalha a agroindústria que visa o abastecimento do mercado.
Como alternativa foi proposto por organismos internacionais que o poder fosse compartilhado, dividido com as mulheres, já que cerca de metade da população mundial é do sexo feminino. Dados de meados da década de 1990 mostravam que os homens ocupavam cerca de 80% dos cargos de liderança. Nada mais justo do que compartilhar esse poder com as mulheres. Isso é pelo que o movimento feminista sempre lutou a igualdade entre os sexos. O feminismo não deve ser confundido com o femismo. Também por volta dessa década um novo discurso se fez ouvir, o de que as mulheres deviam tomar o poder e construir uma nova sociedade, uma sociedade baseada no poder feminino, uma sociedade  “matriarcal”.
O sistema capitalista viu nas mulheres um excelente meio para propagar os seus ideais. Já foi comprovado que as mulheres são muito mais competitivas. Também são muito mais consumistas. As Organizações Rockefeller e a Fundação FORD são patrocinadoras do movimento feminista nos Estados Unidos e em várias partes do mundo. Por que essas fundações ligadas a grandes empresas teriam interesse na agenda feminista?  A não ser...  
As mulheres entre serem mães preferem investir em suas carreiras, a taxa de fertilidade nos países europeus gira em torno de 1,8 filhos por casais. Isto está gerando um desequilíbrio, nesses países o sistema previdenciário está em colapso, pois não há uma nova geração para repor os trabalhadores que se aposentam.
O fio condutor desse matiz nos levará a uma sociedade, como a proposta por Aldous Huxley em seu livro “Admirável Mundo Novo”, onde os seres humanos serão fabricados em úteros artificiais para atender as demandas das grandes corporações.   E como bem vaticinou C S Lewis será a abolição (anulação) do homem (e da mulher também).

quinta-feira, 16 de maio de 2013

A BÍBLIA POLITICAMENTE CORRETA

Eraldo Luis Pagani Gasparini

Há algum tempo ministrei uma aula sobre a “Bíblia politicamente correta” e achei por bem expressar a minha opinião sobre o assunto. Darei o meu parecer como historiador nesse caso, pois não sou teólogo.

A primeira coisa que devemos entender é que o termo “Politicamente Correto” surgiu em meados da década de 70 e 80 do século XX no Ocidente, ou seja, Europa e Estados Unidos da América. Este termo está relacionado aos movimentos sociais que buscavam combater a discriminação quer de raça, gênero ou orientação sexual. Isso é importante frisar, pois até então a Bíblia era considerado um livro sagrado pertencente a humanidade, bem como uma fonte histórica. Contudo na evolução desse movimento entendeu-se que a Bíblia era à base de muitas discriminações, principalmente de sexo. E partindo desse pressuposto começaram a combater tais citações, aparentemente, “politicamente incorretas” na Bíblia. Esse movimento tendo alcançado as instituições teológicas, principalmente na Europa e Estados Unidos começaram a produzir aquilo que foi denominado como “Bíblia politicamente correta”, com a alteração dos textos em que se havia a supremacia do sexo masculino ou de teor racista.

A Bíblia pode ser considerada um livro sagrado, mas também é uma fonte histórica, colocar uma tradução que se adapte ao mundo contemporâneo é um anacronismo. É como alterar a Odisseia de Homero ou Otelo de Willian Shakespeare. Esses livros contêm muitas passagens que podem ser consideradas politicamente incorretas. Todavia como fonte histórica demonstram a cultura, os medos, os anseios, os costumes, os valores, os ideais de uma parcela da humanidade em determinada época. Negar ou alterar isso é desconstruir o presente, passar que o que somos agora sempre fomos no passado, é negar as lutas de centenas de pessoas que passaram pela história para chegar onde chegamos.

A Bíblia é o que é, se uma pessoa quer seguir os ensinos contidos nela é uma opção desta pessoa. Alterar o conteúdo da Bíblia é uma ingerência de uma minoria intelectual sobre algo que não lhe diz respeito. O que se quer na verdade é construir uma nova realidade, uma nova sociedade pela manipulação de suas instituições, tradições e herança cultural. Se querem abandonar o Cristianismo que o abandonem, mas não o transformem naquilo que ele não é.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

AS INDULGÊNCIAS


 De acordo com o  Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana, a indulgência é:

"(...) a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, (remissão) que o fiel bem-disposto obtém, em condições determinadas, pela intervenção da Igreja que, como dispensadora da redenção, distribui e aplica por sua autoridade o tesouro das satisfações (isto é, dos méritos) de Cristo e dos santos."
"A indulgência é parcial ou plenária, conforme liberar parcial totalmente da pena devida pelos pecados. Todos os fiéis podem adquirir indulgências (...) para si mesmos ou aplicá-las aos defuntos”.

O auge dessa prática se deu durante o pontificado de João de Mediei, o Leão X (1513-1521), que lançou uma aberta política de venda de indulgências. Verdadeiros mascates percorreram a Europa vendendo "cartas de indulgência", quase bônus-Paraíso, que podiam ser comprados sem maiores formalidades, mas desconcertando muitos crentes genuínos.
Existe um documento chamado Taxa Camarae que foi e ainda é popular na Itália após a sua publicação no final do livro do espanhol anti-clerical Pepe Rodriguez, intitulado Mentiras fundamentales de la Iglesia Católica (título em português: verdades e mentiras da Igreja Católica).  A Taxa Camarae seria uma lista das indulgências previstas para os vários pecados, com um tarifário a elas referentes. Muitos críticos históricos a tem como uma falsificação, já que Pepe Rodriguez não cita as fontes documentais da lista. Mas vale a pena conhecê-la quer se trate de uma falsificação ou não, pois de fato existiram tabelas de preços pelo perdão. 
O texto  a seguir é uma reprodução em português:

                                            Taxa Camarae

1. O eclesiástico que incorrer em pecado carnal, seja com freiras, primas, sobrinhas, afilhadas ou, enfim, com outra mulher qualquer, será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2. Se o eclesiástico, além do pecado de fornicação, pedir para ser absolvido do pecado contra a natureza ou de bestialidade, deverá pagar 219 libras e 15 soldos. Mas se tiver cometido pecado contra a natureza com crianças ou animais, e não com uma mulher, pagará apenas 131 libras e 15 soldos.
3. O sacerdote que deflorar uma virgem pagará 2 libras e 8 soldos.
4. A religiosa que quiser ser abadessa após ter se entregado a um ou mais homens simultânea ou sucessivamente, dentro ou fora do convento, pagará 131 libras e 15 soldos.
5. Os sacerdotes que quiserem viver em concubinato com seus parentes pagarão 76 libras e 1 soldo.
6. Para cada pecado de luxúria cometido por um leigo, a absolvição custará 27 libras e 1 soldo.
7. A mulher adúltera que pedir a absolvição para se ver livre de qualquer processo e ser dispensada para continuar com a relação ilícita pagará ao papa 87 libras e 3 soldos. Em um caso análogo, o marido pagará o mesmo montante; se tiverem cometido incesto com o próprio filho, acrescentar-se-ão 6 libras pela consciência.
8. A absolvição e a certeza de não ser perseguido por crime de roubo, furto ou incêndio custarão ao culpado 131 libras e 7 soldos.
9. A absolvição de homicídio simples cometido contra a pessoa de um leigo custará 15 libras, 4 soldos e 3 denários.
10. Se o assassino tiver matado dois ou mais homens em um único dia, pagará como se tivesse assassinado um só.
11. O marido que infligir maus-tratos à mulher pagará às caixas da chancelaria 3 libras e 4 soldos; se a mulher for morta, pagará 17 libras e 15 soldos; e se a tiver matado para se casar com outra, pagará mais 32 libras e 9 soldos.
Quem tiver ajudado o marido a perpetrar o crime será absolvido mediante o pagamento de 2 libras por cabeça.
12. Quem afogar o próprio filho pagará 17 libras e 15 soldos (ou seja, 2 libras a mais que aquele que matar um desconhecido), e se pai e mãe o tiverem matado de comum acordo, pagarão 27 libras e 1 soldo pela absolvição.
13. A mulher que destruir o filho que carrega no ventre e o pai que contribuir para a realização do crime pagarão 17 libras e 15 soldos cada. Aquele que facilitar o aborto de uma criatura que não for seu filho pagará 1 libra a menos.
14. Pelo assassinato de um irmão, uma irmã, mãe ou pai, pagar-se-ão 17 libras e 5 soldos.
15. Aquele que matar um bispo ou prelado de hierarquia superior pagará 131 libras, 14 soldos e 6 denários.
16. Se o assassino tiver matado mais sacerdotes em várias ocasiões pagará 137 libras e 6 soldos pelo primeiro homicídio e a metade pelos seguintes.
17. O bispo ou abade que cometer homicídio por emboscada, acidente ou estado de necessidade pagará, para conseguir a absolvição, 179 libras e 14 soldos.
18. Aquele que quiser comprar antecipadamente a absolvição por qualquer homicídio acidental que possa vir a cometer no futuro pagará 168 libras e 15 soldos.
19. O herege que se converter pagará, pela absolvição, 269 libras. O filho do herege que tiver sido queimado, enforcado ou executado de qualquer outra forma poderá ser readmitido apenas mediante o pagamento de 218 libras, 16 soldos e 9 denários.
20. O eclesiástico que, não podendo pagar os próprios débitos, quiser se livrar de ser processado pelos credores entregará ao pontífice 17 libras, 8 soldos e 6 denários, e a dívida lhe será perdoada.
21. Será concedida a licença para a instalação de postos de venda de vários gêneros sob os pórticos das igrejas mediante o pagamento de 45 libras, 19 soldos e 3 denários.
22. O delito de contrabando e fraude aos direitos do príncipe custará 87 libras e 3 denários.
23. A cidade que quiser que seus habitantes ou sacerdotes, freis ou monjas obtenham licença para comer carne e laticínio em épocas em que é proibido pagará 781 libras e 10 soldos.
24. O mosteiro que quiser variar a regra e viver com menos abstinência do que a prescrita pagará 146 libras e 5 soldos.
25. O frade que, por conveniência própria ou gosto, quiser passar a vida em um ermitério com uma mulher dará ao tesouro pontifício 45 libras e 19 soldos.
26. O apóstata vagabundo que quiser viver sem obstáculos pagará igual quantia pela absolvição.
27. Igual montante pagarão os religiosos, sejam eles seculares ou regulares, que queiram viajar em trajes de leigo.
28. O filho bastardo de um sacerdote que queira preferência para suceder o pai na cúria pagará 27 libras e 1 soldo.
29. O bastardo que queira receber ordens sagradas e gozar de seus benefícios pagará 15 libras, 18 soldos e 6 denários.
30. O filho de pais desconhecidos que queira entrar para as ordens pagará ao tesouro pontifício 27 libras e 1 soldo.
31. Os leigos feios ou deformados que queiram receber ordenamentos sagrados e ter benefícios pagarão à chancelaria apostólica 58 libras e 2 soldos.
32. Igual quantia pagará o vesgo do olho direito, enquanto o vesgo do olho esquerdo pagará ao papa 10 libras e 7 soldos. Os estrábicos bilaterais pagarão 45 libras e 3 soldos.
33. Os eunucos que queiram entrar para as ordens pagarão a quantia de 310 libras e 15 soldos.
34. Aquele que, por simonia, queira comprar um ou muitos benefícios se dirigirá aos tesoureiros do papa, que lhe venderão os direitos a preços módicos.
35. Aquele que, tendo descumprido um juramento, queira evitar qualquer perseguição e se livrar de qualquer tipo de infâmia pagará ao papa 131 libras e 15 soldos. Além disso, dará 3 libras para cada um que ouviu o juramento.

sábado, 27 de outubro de 2012

31 de Outubro - Dia da Reforma Protestante














Estátua de Martinho Lutero erigida na cidade de Dresden, Alemanha.


No dia 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero fixou as suas 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, Alemanha. Tinha início o grande movimento chamado de A Reforma Protestante. Lutero protestava contra a venda de indulgências pela Igreja Católica Apostólica Romana. Era a venda de perdão que trazia muito ouro aos cofres da igreja. Usavam inclusive uma frase que dizia mais ou menos o seguinte: “Quando as suas moedas tilintarem nos cofres da igreja, a sua alma terá saído do purgatório para o céu”. Esse dinheiro era usado para a construção da Basílica de São Pedro em Roma.
As 95 Teses de Lutero questionavam diversas doutrinas católicas e colocavam em cheque todo o poderio do catolicismo. Os princípios fundamentais da Reforma são conhecidos como os “Cinco Solas”:
1- Só as Escrituras;
2- Só Cristo;
3- Só a Graça;
4- Só a Fé;
5- Só a Deus toda glória!
Um ponto alto da Reforma Protestante foi a defesa do “Sacerdócio de Todos os Crentes”.
É bom relembrar essa data, principalmente na atualidade quando muitas igrejas ditas “evangélicas” fazem novenas, passam sal grosso, barganham a prosperidade, falam mais das coisas materiais do que do Reino de Deus.

FAMÍLIA PÓS-MODERNA OU A FAMÍLIA DO SÉCULO XXI


Eraldo Luis P. Gasparini

O historiador Francês Georges Duby é o organizador de uma obra muito importante na historiografia: A História da Vida Privada. Esta obra é dividida em 5 volumes e trata justamente do cotidiano das pessoas na Europa, desde a época da antiguidade clássica até os dias atuais, mais precisamente o final do século XX.  É uma obra vigorosa e trata daquilo que há de mais trivial na vida das pessoas, o dia-a-dia. Mas esse olhar do cotidiano faz entender as transformações que ocorreram na forma de vida das pessoas, de igual forma no Brasil foi organizada uma obra, A História da Vida Privada no Brasil, que trata do cotidiano das pessoas no Brasil desde a época do descobrimento até o final do século XX.
No que essas obras nos ajudam? Ajudam a compreender as mudanças e transformações que ocorreram e que nos levaram a viver da maneira que vivemos nos dias de hoje. Tudo o que temos e que somos é produto do ontem, se hoje as mulheres podem ser chefes de família, se as pessoas podem ter um namoro “virtual” sem se tocarem ou se conhecerem pessoalmente, se os homens podem viver isolados em apartamentos, é porque o passado construiu esse presente, através das escolhas, adaptações, coligações, conhecimento, descobertas tecnológicas que ocorreram no passar do tempo.
E com essa breve introdução entro enfim no meu tema que é a família na atualidade, nesse começo de século XXI, a família por mim definida como pós-moderna. Uma coisa que reparamos na história é que a família no passado era um local de sobrevivência dos indvíduos que pode ser notado na declaração contida no Salmo 127:3-5: “Herança do SENHOR são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.  Como flechas na mão do guerreiro, assim os filhos da mocidade.  Feliz o homem que enche deles a sua aljava; não será envergonhado, quando pleitear com os inimigos à porta”.
Esse texto escrito provavelmente no 5º século a.C. mostra a importância de uma família grande, os filhos são comparados a flechas que são armas de longo alcance, o homem deve encher a sua aljava, o receptáculo levado as costas, ou seja, quanto mais filhos mais bem armado e protegido estava um homem. A família grande era o lugar de segurança e dentro disso, a unidade da família devia ser preservada, a fidelidade de seus membros era essencial. Aos homens cabia a defesa dessa unidade organizacional quer pelo trabalho, quer pelas armas, as mulheres cabia gerar os indivíduos dessa unidade, quanto mais ela tivesse melhor para a família, por isso, a maternidade era considerada sagrada, a mulher estava a incumbência de gerar, criar, desenvolver a prole. Não havia métodos anticoncepcionais, as mulheres geravam durante toda a sua vida fértil, de 10 a 12 filhos em média. E quanto mais cedo ela pudesse começar melhor para a família, os critérios para uma mulher poder casar eram os seios desenvolvidos e a menstruação, assim geralmente a partir dos 14 anos de idade as mulheres estavam casando. Dentro deste contexto a pior coisa que podia acontecer para uma mulher era ser estéril, infértil.
A vida era muito frágil, a picada de um inseto poderia com o tempo matar uma pessoa, não se sabia a causa das doenças, não se sabia com clareza as formas de contágio e uma simples infecção poderia levar a óbito, não havia antibióticos para combatê-las, o princípio da vacina não havia sido descoberto. A média de vida das pessoas ficava entre os 35 e 40 anos de idade. Assim a solidariedade entre os membros da família era essencial, todos tinham que cuidar uns dos outros.  É por isso que em I Samuel 17, Davi, o caçula da família de Jessé, vai levar pães e trigo tostado aos seus irmãos mais velhos. Este texto também mostra uma dura realidade que as famílias tinham que enfrentar: a guerra. A guerra era uma adversidade que batia as portas dos lares das maneiras mais cruéis, quando a mãe não  enviava os filhos para o combate, o combate chegava até os lares fazendo com que as mães fugissem as pressas carregando a criança de colo num braço e arrastando pela mão a criança pequena no outro. Isso quando, além do mais, ela não estava gestante. Por isso a mulher era considerada sexo frágil, dentro da união entre um homem e uma mulher, ela era a parte mais ameaçada neste contexto de dificuldades, precisando ser defendida e protegida.
Da antiguidade até a era moderna pouca coisa mudou, a mudança mais significativa vai acontecer no século XIX com as transformações econômicas da sociedade. Tem início a Revolução Industrial e as pessoas saem do campo e vão para as cidades, deixam de trabalhar a terra e vão trabalhar nas fábricas e no comércio. A vida é controlada pelo relógio agora, não mais o nascer e o pôr do sol e sem pausas para a sesta. As famílias vivem confinadas nas casas. Dentro desse sistema ainda é essencial que a família seja grande, para que a mesma possa oferecer mais mão de obra àqueles que controlam as riquezas, os donos das fábricas, os comerciantes, os grandes proprietários.  Agora as famílias estão em um novo ambiente, o urbano, por isso, essas famílias são modernas. A modernidade exige que as famílias eduquem os filhos, porque agora é necessário o domínio de novas técnicas, a matemática, a gramática, a lógica. Quem mais e melhor educa os seus filhos, melhor possibilidade cria para a sua ascensão. Assim temos a família moderna.
Durante o século XX, a ciência aflora enormemente, temos a invenção do avião, do rádio, da televisão, da bomba atômica. A medicina descobre o princípio da vacina, a descoberta da penicilina e dos antibióticos, o que torna a saúde das pessoas melhor. Os alimentos desidratados, as comidas instantâneas tornam a alimentação mais fácil e prática. A água potável e encanada, a eletricidade gerando luz e fornecendo energia para um enorme número de aparelhos. A comodidade acessível a todos, claro que não de graça. Porém a grande inovação que mudará a vida das famílias são os métodos contraceptivos, para antes do ato sexual a pílula anticoncepcional, durante o ato sexual o preservativo ou camisinha, após o ato sexual a pílula do dia-seguinte e se por algum deslize ou descuido acontecer à gravidez, o aborto. Agora o casal, mais especificamente a mulher, tem o poder de controlar a gravidez. Os seres humanos ao final do século XX têm um controle até antes inimaginável sobre o ambiente em que vive.
E surge então o que defino de família pós-moderna. Essa família não é mais como antigamente formada pelo pai, pela mãe e pelos filhos do casal. O casamento antes indissolúvel se transforma com a possibilidade da separação, primeiro através do desquite e depois através do divórcio. Nada mais é sólido, tudo é fluído e fluidificável. Essa família pode ser mono parental formada somente por um dos pais e os filhos; pode ser a família mosaica formada pelo homem, a mulher, os filhos da união anterior e os filhos da nova união; o casal sem filhos; o casal de união homoafetiva; os solteiros sozinhos, o single person no termo inglês ou lares unipessoais.
As pessoas dentro dessa nova realidade não precisam mais uma das outras, a sobrevivência que provocava a necessidade da solidariedade não mais existe. Se uma pessoa não sabe cozinhar há os fast foods, a comida congelada, os marmitex; há as maquinas de lavar ou as lavanderias para as roupas sujas; há as diaristas para limparem a casa uma ou duas vezes por semana; a companhia vem nos sites de relacionamentos, nos chats. O individualismo é a marca dessa nova realidade. A liberdade sacrifica o companheirismo. Nesses tempos pós-modernos as pessoas não pensam duas vezes em se separar quando se sentem incomodadas, desconfortáveis, infelizes com o relacionamento. Provavelmente não há frase mais egoísta do que “Eu tenho o direito de ser feliz” e não há justificativa religiosa mais deturpada do que “Deus não me fez pra sofrer, Deus me fez pra vencer e ser feliz”. A própria fé se curva aos novos tempos.
Esta é a principal característica da família pós-moderna ela se centra no individuo e não no grupo, as associações visam o prazer e a felicidade das partes e não do todo, se esse objetivo não é alcançado à associação se desfaz.  A frase síntese da pós-modernidade “tudo o que é solido se desvanece no ar” também se aplica a família.

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS:
ARIES, Philipe; DUBY, Georges (orgs.). HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA. 5 Volumes. Companhia das Letras, São Paulo, 1990.
 SEVCENKO, Nicolau (org.). HISTÓRIA DA VIDA PRIVADA NO BRASIL. 4 Volumes. Companhia das Letras, São Paulo, 1998.