sexta-feira, 30 de agosto de 2019

OS DESIGREJADOS




Os desigrejados foram definidos como aqueles cristãos evangélicos que abandonaram a igreja institucional ou as igrejas institucionais, mas não deixaram de crer e nem abandonaram a Cristo:  Sem a igreja, mas com Cristo”. Tem uma parte dos desigrejados que só saíram da igreja institucional, enquanto outro grupo além de sair se tornou militante contra as igrejas institucionais.
Vou tratar do primeiro grupo porque tenho muitos conhecidos que fazem parte dele e devo dizer que a própria igreja institucional propiciou as ferramentas para que os mesmos assim se comportassem.
Muitas igrejas adotaram o G12, o M12, a célula, a igreja nos lares como método de evangelismo, porém esse método por fim acabou dando suporte para que esses membros questionassem a necessidade das igrejas institucionais:
- Ora se a igreja primitiva se reunia nas casas, por que temos que ir em templos?  Por que não podemos cultuar só nas casas?
Assim eles entenderam que não era preciso uma “igreja”, uma instituição, bastava um local para se reunirem, fosse uma casa, um consultório, um apartamento ou uma garagem.
Muitos desses desigrejados se viram decepcionados com a liderança de suas denominações, muitos sofreram abuso espiritual por parte de seus líderes. Líderes que alegando serem uma “cobertura espiritual”, “autoridade espiritual”, “ungidos do Senhor” foram além de suas atribuições como guias do rebanho e passaram a interferir ostensivamente na vida de seus membros, sugando-lhes o tempo, as finanças. Pondo sobre os ombros deles uma carga que não podiam carregar, fazendo com que se desgastassem física e emocionalmente para obterem novos membros, fazendo-os se fatigarem para promover o “ministério”. Líderes pastorais que exigem “submissão” de seus membros e os ameaçam com maldição, por serem “rebeldes”, quando não cumprem as determinações dos mesmos. Deixaram de ser guias para serem dominadores do rebanho de Deus.
Convém aqui colocar o desserviço que a doutrina da prosperidade fez as Igrejas institucionais sérias. Essa heresia que adentrou nos rincões evangélicos descaracterizou a fé cristã verdadeira, transformou o evangelho em produto, a igreja em comércio, o pastor em gerente e o crente em cliente. Muitos buscando sua satisfação pessoal creram na mensagem da teologia da prosperidade e foram enganados, pois o evangelho, a fé cristã verdadeira não é isso. Se há algo que de fato lançou a igreja institucional em descrédito foi a teologia da prosperidade.
Os desigrejados são um sintoma de um mal maior que permeia as igrejas institucionais no Brasil. Eles são fruto de um evangelho sem a Graça, de uma igreja sem amor, de um cristianismo sem Cristo.
É óbvio que a análise de só umas das partes seria tendenciosa, os desigrejados por sua vez são um sintoma da pós-modernidade, onde A Verdade foi morta, onde cada um tem a sua verdade. Então se a “verdade” de uma pessoa é contrariada pela da instituição, ela simplesmente condena a instituição e a abandona. Ao invés de fazer uma autoanálise e reconsiderar suas ideias ou praticar a tolerância, as pessoas simplesmente abandonam a igreja porque foram contrariadas, porque a coisa não saiu  do jeito que ela queria.
Também é sintoma do individualismo que norteia as relações pós-modernas, onde cada um olha somente para si e não enxerga o outro. Já cantava aquela quadrinha musical:
- “ado, ado, cada um no seu quadrado; ema, ema, cada um com seus problemas”.
As relações são voláteis, são momentâneas, para realizar interesses comuns; não há compromisso entre as partes.

Os desigrejados se esquecem que muito do que temos é devido a igreja institucional, como a Escola Bíblica Dominical onde aprendemos sobre a Bíblia e as suas doutrinas; como as faculdades e seminários teológicos; como as editoras de livros cristãos (muito do conhecimento que os desigrejados tem veio das igrejas instituídas).
Poderia citar também as escolas confessionais; as creches; as casas de recuperação a viciados; os projetos sociais; tudo isso obtido graças ao engajamento e ação de boas instituições eclesiásticas.
Citando o questionamento do pastor presbiteriano Rev. Augustus Nicodemus, será que “ …os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira? ”



(Clique na imagem para ampliá-la).


Lendo um livro de John Stott intitulado Cristianismo Básico, percebi que essa demanda também aconteceu na Inglaterra, porém na década de 1950. Ali ele demonstra que os ingleses estavam fazendo as mesmas críticas e abandonando as igrejas instituídas, como resultado os cultos foram se esvaziando e as igrejas também, tanto que no ano de 1991 cerca de 1.015 templos da Igreja Anglicana foram vendidos para uma rede de boates, redes de academias de ginásticas e outras coisas mais. No final a geração posterior de desigrejados não tinha mais vínculo nenhum com nada ou ninguém, o que resultou no aumento de secularizados e sem religião na Inglaterra.
Temos que fazer uma autoanálise enquanto desigrejados e igrejas institucionais e chegarmos a um denominador comum, porque caso contrário será a derrocada da fé cristã evangélica no Brasil.

quarta-feira, 24 de abril de 2019

OS ATEUS


(Reflexões sobre o ateísmo feitas por um Cristão)




* P.S. : Se você é um ateu não perca seu tempo lendo, você com certeza não irá concordar. 😀



Eu, enquanto especialista em História das Religiões, aprendi que o ateísmo é uma forma de crença, de religiosidade. Pois, ao contrário do agnóstico que sempre duvida, quer da existência quer da não existência em Deus, o ateu tem CERTEZA de que Deus não existe. Ora, a certeza é uma convicção, é um estado de espírito caracterizado pela crença de que se está na posse da verdade. Assim sendo o ateísmo é uma espécie de fé.
O ateu pessimista acredita que Deus não existe, que o homem é um produto do acaso, a própria existência humana está fadada a extinção, que não há razão ou sentido na vida e que portanto não há o que se fazer para o mundo melhorar, como dizia o escritor português e ateu José Saramago: “Não sou pessimista, o mundo é que é péssimo”.
O ateu otimista também acredita que Deus não existe, mas o ateu otimista crê no potencial humano, crê que o ser humano pode fazer grande coisas e que para isso ele precisa se livrar da religião, pois esta cega o pensamento, a inteligência e limita o ser humano. O ateu otimista no final das contas tem fé na humanidade e na ciência. O ateu otimista crê que a humanidade através da ciência alcançará o seu pleno potencial e transformará o mundo e a própria humanidade. De uma certa maneira o ateu otimista tem aquele sentimento luciferiano (relacionado ao anjo Lúcifer) de querer ser um deus.
Por mais que se queira negar, ou que os ateus neguem, todos os seres humanos precisam de ter uma fé, uma convicção, para continuar adiante. Os seres humanos precisam ter algo que os faça levantar da cama, algo que os motive a seguir adiante, algo que seja maior do que ele mesmo, algo que seja superior a ele e dê um sentido a sua existência, ainda que seja combater a existência de Deus.
E se Deus não existe, não há porque combater a Sua existência. Combater algo que não existe é uma tarefa quixotesca (de Dom Quixote que via nos moinhos de vento gigantes a serem combatidos), é perseguir uma quimera (ser monstruoso que não existe). Não há porque combater algo que não existe, pois se algo não existe de fato, os fatos se sobreporão sobre a realidade.
Contudo…
Enfim, todos nós precisamos de algo para crer, ainda que seja crer que esse “Algo” não exista.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

UM MUNDO ANTICRISTÃO


“Alguém diz:
- Sou judeu! - E ninguém se comove.
Se diz:
- Sou romano! – Ninguém treme.
Se diz:
- Sou grego; bárbaro; escravo; liberto - ninguém se agita.
Mas se diz:
- Sou Cristão! – O mundo inteiro estremece”.
Texto egípcio de autor desconhecido datado do ano 200 d.C.



Durante os últimos 3 séculos, o XVIII, XIX e o XX, o ocidente e a fé cristã foram hegemônicos no mundo. No começo do século XX, na sua primeira década, o cristianismo contava com 34% da população mundial, era a maior religião do mundo somado suas três vertentes principais: Católica, Ortodoxa e Protestante. A maioria dos países pensavam de uma forma cristã ou influenciados por ela. Mas isto é passado.
Atualmente (2019) a religião cristã está sofrendo um retrocesso, tanto internamente como externamente, de acordo com o relatório do instituto de pesquisa americano Pew Research Center o percentual de cristãos caiu para 31% (dados de 2017). Países onde a população era de maioria cristã, hoje se confessam de maioria ateus ou sem religião como é o caso da Suécia e a República Tcheca. O Islamismo cresce graças a alta natalidade das famílias islâmicas. A ONU através do Conselho de Direitos Humanos incentiva políticas anticristãs.
Rumamos para um mundo anticristão. Mas antes de mais nada, eu devo afirmar que de acordo com a própria fé cristã exposta nos textos do Novo Testamento, o mundo sempre foi anticristão.
No Evangelho de João, Jesus falando aos discípulos afirma:

“Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” (João 15:18).

Ou seja, antes de odiar aos cristãos e o cristianismo o mundo odiou o próprio Cristo. E esse ódio passou aos primeiros discípulos, os apóstolos, isso já começou na antiguidade com os judeus, com os gregos, os romanos, os bárbaros e etc... Sempre em algum momento da história houve manifestação de ódio aos cristãos e ao cristianismo.

Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando (I Pedro 4:12-13).

Não é para o cristão autentico se surpreender, se alarmar, estranhar o fato de ser perseguido por sua fé neste mundo, isto faz parte de ser cristão. Porque se participamos com Ele em seus sofrimentos, também participaremos com Ele em sua glória.

Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno (I João 5:19).

O apóstolo João alertava aos crentes de seu tempo que o mundo inteiro estava e está debaixo do poder do diabo.
Todavia os cristãos de certo modo abraçaram ao hedonismo, o pensamento segundo qual diz que a busca da felicidade e o prazer é a finalidade da vida. A Teologia da Prosperidade que permeia o meio evangélico brasileiro é um exemplo disso. Isto deixou os cristãos, em especial o evangélico brasileiro, despreparado para a oposição que há de enfrentar futuramente e que já se manifesta tenuamente nos dias de hoje.
Nós cristãos temos que entender que nada de bom surge do mundo, ainda que tenha a aparência de bom. No final das contas o que está no mundo, nos faz é ficar distantes de Deus.

Não ameis o mundo, nem as coisas que no mundo. Se alguém amar o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo. Ora, o mundo passa, bem como a sua concupiscência; aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente(I João 2:15-17).

Infiéis, não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquele, pois, que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus (Tiago 4:4).

O mundo que está aí com os seus sistemas de valores, pensamentos e coisas é inimigo de Deus, o mundo é anticristão.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

A ONU e a instrumentalização dos movimentos Feministas e LGBT




De acordo com um cálculo da Global Footprint Network o número ideal para se atingir o equilíbrio ambiental do planeta Terra seria de 4,3 bilhões de habitantes, ou em outras palavras, a população máxima da Terra para que haja sustentabilidade deve ser de 4,3 bilhões de pessoas. O grande temor da ONU é a explosão demográfica, que o número de pessoas na Terra seja tão grande que não possibilite a alimentação e o fornecimento de água da população gerando poluição, conflitos, guerras e instabilidade econômica.
Atualmente (2019) a população do Planeta Terra ultrapassa os 7,5 bilhões de habitantes. Assim sendo pelo cálculo da Global Footprint Network a população teria que diminuir em 3,2 bilhões de habitantes. E como fazer isto?
Muito bem, a ONU desenvolve e incentiva pelo mundo inteiro o controle familiar através de organismos como a UNFPA (Fundo das Nações Unidas para Atividades Populacionais), bem como através de políticas e movimentos sociais. Uma das ações que ela desenvolve é incentivar os movimentos LGBT e Feministas que na verdade estão sendo instrumentalizados pela ONU para conter o crescimento populacional. Perceba que através do movimento feminista, as mulheres estão deixando de efetuar a sua principal função biológica e natural: procriar. Porque hoje a principal demanda das mulheres (pelo menos no mundo ocidental) é investir em suas carreiras profissionais. As mulheres estudam, se formam, buscam uma posição no mercado de trabalho e uma ascensão no mesmo. Fazendo isto elas deixam a maternidade de lado e quando decidem ter filhos, procuram ter um ou no máximo dois filhos, para que os mesmos não atrapalhem a sua carreira profissional.
Da mesma forma o movimento LGBT etá sendo instrumentalizado para diminuir a prole. Quando se formam casais homossexuais, a procriação fica limitada. Casais homossexuais formados por homens geralmente adotam uma criança e casais homossexuais formados por mulheres geralmente somente uma engravida, embora haja exceções o número de filhos fica limitado em casais homossexuais, assim a reprodução é contida e se evita a explosão demográfica.

Mas para que isso ocorra é necessário uma revolução dos costumes e sejam subvertidas as ordens até então vigentes. E o grande mantenedor da ordem moral e dos costumes é a religião. No caso do mundo ocidental esta é a religião cristã em suas vertentes católica e protestante. Assim sendo o cristianismo se tornou o grande obstáculo das políticas de controle demográfico da ONU. A ONU através do Conselho de Direitos Humanos implementou o “politicamente correto” e taxou como “discurso de ódio” todos aqueles que se posicionam contrários aos “direitos” das mulheres e dos homossexuais. Não é por acaso que a população nativa européia (os brancos caucasianos) esteja envelhecida, pois adotando essa ideologia da ONU há mais velhos do que crianças na Europa e a população em alguns países europeus está decaindo causando inclusive problemas com a previdência e aposentadoria. E também não é por acaso que a Europa seja hoje considerada uma região pós-cristã.
Mas além da ONU, quem instrumentaliza os movimentos sociais são os grande magnatas das finanças como George Soros. Nascido na Hungria, o multi-bilionário George Soros criou uma imensa rede de organizações e grupos de esquerda com intuito de transformar o mundo. De acordo com muitos críticos, George Soros é um ateu com complexo messiânico. Mas não é somente ele, há outros magnatas envolvidos que financiam e apoiam os movimentos feministas e LGBT, como Ted Turner (fundador do canal de notícias CNN), fundações Ford, os irmãos Rockefeller, Ruder Finn Inc., Carnegie, Modi e Greenville.
Mas por que magnatas do capitalismo apoiam movimentos de esquerda?
A razão é simples, muitos destes movimentos de esquerda não são necessariamente contra o capitalismo de George Soros, mas contra valores e princípios conservadores, base da civilização ocidental, que representam obviamente uma resistência aos anseios globalistas das famílias Soros, Rockfeller, Ford e outras. Ou seja, a fé cristã atrapalha os negócios e os lucros.
E desta maneira os movimentos LGBT e feminista estão sendo instrumentalizados (usados) pela ONU e os magnatas capitalistas para atingirem os seus objetivos de contenção da população global e expansão econômica e no meio disto a religião cristã tem sido o principal alvo de ataques.

quinta-feira, 21 de março de 2019

A Royal Air Force, C. S. Lewis e o livro Cristianismo Puro e Simples


Era uma vez ...
A Mãe de Todas as Guerras, assim ficou apelidada a Segunda Guerra Mundial após o seu término e contabilizado o número de suas vítimas: cerca de 55 a 60 milhões aproximadamente.
Esse conflito teve inúmeros episódios e histórias que repercutem até hoje e uma dessas histórias está relacionada a um livro chamado Cristianismo Puro e Simples, escrito pelo famoso escritor C. S. Lewis (o autor das Crônicas de Nárnia) e a Royal Air Force (RAF).
Em 1939, a Alemanha nazista de Adolf Hitler invadiu a Polônia, começou a Segunda Guerra Mundial e lançou o mundo em chamas. Como parte de seu plano de conquistar a Europa, ele resolveu atacar a Grã-Bretanha e em 16 de julho de 1940, o ditador alemão Adolf Hitler ordenou a preparação da chamada Operação Leão Marinho, que consistia na invasão da Grã-Bretanha com forças anfíbias e paraquedistas. Mas antes que uma invasão com infantaria pudesse ser autorizada, era crucial que a Luftwaffe, a Força Aérea Alemã, conquistasse a superioridade aérea sobre os céus britânicos e para esta tarefa Hitler chamou o seu Marechal Herman Göring, comandante-em-chefe da Força Aérea Alemã. O Marechal Herman Göring prometeu a Hitler uma vitória rápida e esmagadora em pouco tempo.
Em defesa da Grã-Bretanha levantou-se a Royal Air Force (RAF) e uma grande batalha nos céus britânicos foi travada entre as duas forças aéreas entre julho de 1940 e maio de 1941, essa batalha aérea ficou conhecida como A Batalha da Grã-Bretanha. Depois de meses de combate aéreo, os britânicos ganharam a batalha e os alemães desistiram de invadir a Grã-Bretanha. Essa vitória foi considerada o ponto de virada da guerra a favor dos aliados. Na defesa aérea do Reino Unido, somente entre o período de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, foram contabilizados 544 militares mortos, entre os quais além dos 402 aviadores britânicos, havia também 5 belgas, 7 tchecos, 29 poloneses, 3 canadenses e 3 neozelandeses.
O primeiro ministro britânico Winston Churchill, em referência a RAF e seus jovens pilotos, declarou a frase que se tornou célebre:
- "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos".


Cartaz da época sobre a R.A.F. com a frase de Winston Churchill.

Ainda rapaz, C. S. Lewis serviu nas pavorosas trincheiras da Primeira Guerra Mundial e, em 1940, quando as bombas começaram a cair sobre a Inglaterra, se alistou como oficial da vigilância antiaérea e passou a dar palestras para os soldados da RAF, homens que sabiam, com quase toda a certeza, que seriam dados como mortos ou desaparecidos depois de apenas treze missões de bombardeio. A situação deles incitou Lewis a falar sobre os problemas do sofrimento, da dor e do mal. Estes trabalhos resultaram no convite da emissora inglesa BBC para que ele fizesse uma série de programas de rádio sobre a fé cristã. Ministradas de 1942 a 1944, estas conferências radiofônicas foram mais tarde reunidas no livro que conhecemos hoje como Cristianismo puro e simples.
Este livro, portanto, não foi feito de especulações filosóficas acadêmicas. É, isto sim, um trabalho de literatura oral dirigido a um povo em guerra. Quão insólito devia ser ligar o rádio — que a toda hora dava notícias de mortes e de uma destruição indescritível — e ouvir um homem falar, de forma inteligente, bem-humorada e profunda, sobre o comportamento digno e humano, sobre a conduta leal e sobre a importância da distinção entre o certo e o errado. Chamado pela BBC para explicar aos seus conterrâneos no que os cristãos acreditavam, C. S. Lewis lançou-se à tarefa como se ela fosse a coisa mais fácil do mundo, mas também a mais importante.

Lewis em sua escrivaninha. Foto de agosto de 1960.


C. S. Lewis não estava pregando para atrair membros para sua igreja, ele estava falando de como é a vida sob a perspectiva da fé cristã, em contraste com a vida fora da fé cristã. O sentido do termo “cristão” deve ser descritivo e não um simples elogio. No sentido profundo, não podemos julgar quem é realmente cristão e quem não é. Você pode ser um não-cristão cheio de qualidades, ou um cristão com poucas qualidades. O que importa é estar disposto a compreender o sentido da fé cristã para sua vida e  vive-la de modo consistente. E assim da necessidade espiritual dos soldados da RAF, surgiram as palestras de rádio de C. S. Lewis que se tornaram o livro Cristianismo Puro e Simples.

O livro publicado no Brasil pela Martins Fontes.